sábado, 16 de maio de 2015

Um crime de "lesa" Queimadas

Venda do Mercado Municipal: um crime contra o povo queimadense.


Há três tipos de governo: o que faz acontecer, o que assiste acontecer e o que nem sabe o que acontece. George Santayana*



Quem pauta esta vergonhosa administração? A progenitora do atual alcaide, popularmente conhecida por “mainha”? Alguns dos poderosos secretários que o cercam? Empresários ou quem sabe, todavia, contudo suas convicções? Mas, pé...raí. Convicções! Desde quando as tem? Jamais, repito jamais em tempo algum a política econômico, social e financeira do município de Queimadas chegou a níveis tão baixos.

       O que assistimos nos últimos dois anos e cinco meses (a se completar este mês) foi exatamente o que previmos quando o atual gestor (sic...) tomou posse. O município de Queimadas que nos últimos 20 anos vivia num leito de hospital devido a incúria e irresponsabilidade de alguns dos seus administradores, entrou em estado terminal e vegeta num leito de UTI após a chegada ao poder desta tragédia chamada administração Tarcísio Pedreira.

Mas enganam-se aqueles que pensam que o último tiro, o de misericórdia, já foi disparado. Como diz a sabedoria popular é bom não subestimar a ignorância alheia, pois ela pode piorar ainda mais o quadro degradante do atual governo queimadense. Lembrem-se todos (e aqui retorno à sabedoria popular) que “quando você acha que já viu tudo, vem a política e te mostra que as coisas podem piorar ainda mais”.
Tarcísio e a dilapidação do patrimônio público



E para comprovar o provérbio popular aí está o projeto encaminhado (ou a encaminhar) à Câmara dos Vereadores pelo atual alcaide propondo a venda do valiosíssimo espaço do Mercado Municipal em pleno centro da cidade. Para quê? Há uma resposta lógica para tamanho crime? A população desconhece. Como da mesma forma desconhece o destino do recurso caso a venda seja efetuada, ou seja, caso os vereadores se posicionem ou acatem um ato irresponsável e criminoso e aprovem a proposta.

O que está em jogo não é apenas a falta de transparência na aplicação do dinheiro caso o projeto insano do prefeito Tarcísio Pedreira seja aprovado. O que ele irá propor amanhã? A venda do campo de bola, porque aquilo jamais pode ser chamado de estádio? Praças, ruas e mesmo os becos? A sede antiga da Prefeitura, um prédio histórico? Sua sanha selvagem para dilapidar o patrimônio público e sua irresponsabilidade como administrador é uma vergonha para todo o queimadense consciente de suas responsabilidades.

A aprovação deste projeto pode representar o primeiro tiro de misericórdia no já combalido município de Queimadas. Outros virão antes do eleitor expulsá-lo definitivamente do comando. Ainda lhe restam um ano e sete meses para oxigenar as células cancerígenas que destroem o tecido social, político e econômico do município. E ele o fará se assim a maioria dos vereadores, eleitos para zelar pela saúde do município, o quiserem.
Câmara com a responsabilidade de desfazer este crime


Só para mostrar o absurdo da venda do Mercado Municipal lembrem-se de que a prefeitura não dispõe de prédios próprios para abrigar secretárias e mesmo programas na área de Saúde, Educação e Assistência Social e gasta fortunas com aluguéis. E mais: sequer possui um espaço cultural (cineteatro, por exemplo).

A população queimadense precisa despertar e gritar contra este crime. Deve ir nesta quarta-feira à Câmara de Vereadores e no seu direito legítimo pressionar os edis a rejeitarem esta selvageria. Mas não só a população. A sociedade civil organizada, sindicato, associações, clubes entre outros. É hora de dar um basta à irresponsabilidade, à incúria. Acorda Queimadas. Afinal, como diz um provérbio árabe "Tudo o que acontece uma vez, pode nunca mais acontecer, mas tudo que acontece duas vezes acontecerá certamente uma terceira."


George Santayana, pseudônimo de Jorge Agustín Nicolás Ruiz de Santayana y Borrás (Madri, 16 de dezembro de1863 - Roma, 26 de setembro de 1952), foi um filósofo, poeta e ensaísta espanhol.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Queimadas de luto





Não procurem polidez. Não a encontrarão. Não era um homem gentil, a não ser para os seus. Sua grandeza que a idade e os cabelos brancos lhe conferiam vinha da sua integridade, da sua honradez e de sua bondade, inclusive no trabalho a que se dedicou ao longo de 60 anos. Renildo a quem por intimidade não chamava de tio nasceu um diamante bruto a quem a vida, longa por sinal, não conseguiu polir.

     Cumprimentava a todos com um aperto de mão com a mesma força com que usava uma chave para retirar um pneu de caminhão. Mãos grossas, mas habilidosas porque já entrando na terceira idade virou um torneiro. Trabalho que requer além do conhecimento habilidades com as mãos e olhar acurado. Era o Seu Renildo da Oficina que mesmo ao passar dos oitenta diariamente, com sua bengala saia de casa para o trabalho para emprestar seus conhecimentos àqueles que necessitavam.


            Queimadas chora a perda de tantos filhos que dedicaram suas vidas ao bem comum. E Renildo, Tio Renildo, Seu Renildo filho, pai e avô marcaram o Seu e o nosso tempo. Saibamos respeitá-lo seguindo o Seu exemplo. De um homem dedicado ao seu mister e à sua família. Louvemos o seu legado.

terça-feira, 28 de abril de 2015

O ódio em nosso tempo

Ao andar pelos caminhos da vida* parei de lutar contra o tempo**. É chegada a maturidade. Hora de recolhimento, do aguardo. De esperar a hora do repasto à partilhar a dor, o amor, o conhecimento, a bebida e a comida. É hora de pensar e pesar meus valores. Do que vivi, aprendi? Do que sofri, conheci?

Refletir.

Rebuscar a memória. Lá no recôndito da consciência estão minhas sensações de pertencimento. E não são poucas. Ali estão conhecimentos de uma infância livre e partilhada em Queimadas em que os banhos de rio, as cabanas, caçadas, as estórias contadas em vozes sussurradas forjaram o pré-adolescente para lutar contra a prisão do Internato nos Maristas de Senhor do Bonfim e contra uma liberdade podada, pelo menos a liberdade política, na Bahia antiga, hoje Salvador.

Refletir.

Mais uma vez. Valeu a caminhada? Estou apaziguado com meu longo aprendizado, ou, no meio do caminho ganhei espinhos tão profundos que suas dores e uma enorme soma de dúvidas estão dissimuladas? Ou, como cantou Erasmo Carlos "estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim"?

Refletir.

Não há um fim à vista. A vida não é uma estrada reta e finita e o limiar da velhice é apenas o início de uma nova jornada. Somos o poder do conhecimento pelo variado e valioso saber acumulados aos longo dos anos. Devemos, portanto, transmitir prudência e ensinar o poder da reflexão que alcançamos no limiar da velhice? E os jovens guerreiros do saber adotam a reflexão como ponto de partida para suas buscas? Ou perseguem o inatingível e terminam numa encruzilhada trocando, com o demônio, seu longo aprendizado por um sucesso imediato?

Refletir.

Ou somos nós a encruzilhada? O que transmitimos, ensinamos e refletimos? Representam esses jovens que hoje saem às ruas com o ódio estampado em rostos juvenis a essência do nosso conhecimento? E o diálogo enlouquecido produzido na WEB é fruto do nosso pertencimento?

Refletir.

E nessa caminhada encarniçada em busca do nada por que muitos no limiar da velhice se agarram ao ódio, ao preconceito? Como foi forjada esta geração antiga que esqueceu que a bandeira política, ou se querem, a luta ideológica se dá no campo das ideias e não no matar, no esgoelar o outro lado? O que aconteceu aos jovens e velhos do meu País? Não tem mais fim essa estrada? Caminhamos para o ódio entre irmãos?

Refletir.

Não posso mais, mesmo no limiar da minha velhice, ter o direito da escolha? Ser PT, PCdoB me transforma e me transporta para os "guetos de Varsóvia"? Aonde foi parar a humanização do pertencimento?  Quem é dono do bem? Quem é dono do mal? Estamos caminhando em direção a uma encruzilhada em que a escolha, por falta de opção, será o contrato com o Demônio na busca de um sucesso que poderá se transformar numa noite de escuridão de 20 ou 30 anos? Não custa refletirmos.


*Cora Coralina

A Procura

Andei pelos caminhos da vida.
Caminhei pelas ruas do destino-
procurando meu signo.

Bati na porta da Fortuna,
mandou dizer que não estava.

Bati na porta da Fama,
falou que não podia atender.

Procurei a casa da Felicidade,
a vizinha da frente me informou que
ela tinha se mudado sem deixar novo endereço.

Procurei a morada da Fortaleza
Ela me fez entrar:

deu-me veste nova, perfumou meus cabelos...
fez-me beber de vinho.

Acertei o meu caminho.


**Viviana Mosé


Pensador 


Quem tem olhos pra ver o tempo
Soprando sulcos na pele
Soprando sulcos na pele
Soprando sulcos?
O tempo andou riscando meu rosto
Com uma navalha fina
Sem raiva nem rancor.
O tempo riscou meu rosto com calma
Eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença).
Acho que a vida anda passando a mão em mim.
A vida anda passando a mão em mim.
Acho que a vida anda passando.
A vida anda passando.
Acho que a vida anda.
A vida anda em mim.
Acho que há vida em mim.
A vida em mim anda passando.
Acho que a vida anda passando a mão em mim.
E por falar em sexo
Quem anda me comendo é o tempo
Na verdade faz tempo
Mas eu escondia
Porque ele me pegava à força
E por trás.
Um dia resolvi encará-lo de frente
E disse: Tempo,
Se você tem que me comer
Que seja com o meu consentimento
E me olhando nos olhos
Acho que ganhei o tempo
De lá pra cá
Ele tem sido bom comigo
Dizem que ando até remoçando.

Como festejará o 1º de maio o juiz Moro?



Por Ion de Andrade, no GGN


O 1º de maio é uma data sagrada para os trabalhadores, marca o massacre de 10 trabalhadores americanos na primeira greve geral maciça da história, quando em 1886 500.000 pararam em Chicago. É, pois, uma sexta-feira santa, dia de massacre de inocentes.

O juiz Moro vem escrevendo biografia das mais interessantes para os historiadores do futuro, por ela  comparecerá, como intuo, como um mau exemplo para o judiciário. Em breve sofrerá ação no CNJ por abuso de poder, provavelmente sem qualquer resultado, o que produzirá perplexidade nos estudiosos dessa nossa pré-história.

Senão, vejamos;

À frente da Lava Jato notabilizou-se com os seguintes atos e fatos:

Prendeu o tesoureiro do PT, João Vaccari, porque este último arrecadou dinheiro para o PT, vindo de empresas implicadas na Operação Lava Jato. O mesmo ocorreu com outros tesoureiros. As empreiteiras doaram igualmente para partidos de oposição. Para o PT os recursos foram contaminados pela ação dessas empresas nas operações com a estatal, para os demais não;

Vaccari foi preso no dia das últimas manifestações de rua dos trabalhadores contra as terceirizações e contra a bancada patronal;

Autorizou  que o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, outro investigado na Lava Jato, respondesse ao processo em liberdade. Ele foi o único delator a citar o nome do ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) como beneficiário do esquema de corrupção. "Ele revelou ter repassado R$ 1 milhão em propina ao tucano a pedido do doleiro Alberto Youssef.

Prendeu Marice Correa Lima, cunhada de Vaccari “por engano” e, reza a lenda, que não se desculpou...
A senhora Moro é assessora jurídica de Flávio José Arns, Vice do Governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) e ele não se considerou suspeito ou impedido de julgar políticos inclusive do partido que emprega a sua esposa;

Recebeu prêmio de “Personalidade do Ano” da Rede Globo, empresa claramente alinhada à oposição e envolvida com sonegação fiscal;

Tudo isto significa que o juiz Moro não se preocupa em ser ou não reconhecido pela isenção e pela sobriedade.

Na Globo atribuiu ao trabalho articulado com o Ministério Público os bons resultados obtidos na Lava Jato... Disse ele ao G1: "O prêmio na verdade não é para mim, existe um trabalho coletivo que envolve o Ministério Público, a Polícia Federal, a Receita Federal ”... Na verdade, a Justiça e o Ministério Público NÃO PODEM ter trabalho coletivo, coordenado ou articulado, assim como seria inaceitável que a Justiça pudesse ter trabalho coletivo com os advogados de defesa...

Uma ação articulada entre Justiça e Ministério Público atua em detrimento do réu, que já dá entrada condenado. Essa prática revela uma parcialidade a priori incompatível com o exercício da magistratura, por ela, a Justiça e o Ministério Público assumem o mesmo papel acusatório.

O que há de errado em prender Vaccari Neto no dia dos protestos dos trabalhadores contra as terceirizações ou de, enquanto juiz federal de caso que envolve partidos políticos, aceitar prêmio de emissora alinhada à oposição e sonegadora? Nada prova que Vaccari tenha sido preso no dia das manifestações propositadamente para humilhar os trabalhadores, poderia ter sido apenas por coincidência... E nada prova que receber prêmio da maior representante da mídia oposicionista signifique adesão à oposição. No entanto, ELE deveria ser o primeiro interessado em evitar o espetáculo desse teatro de ambiguidades, mas não, em vez disto o sustenta.

Então o juiz Moro ultrapassou o que deve ser a atitude de um magistrado: a imparcialidade explícita e ostensiva. Ser imparcial e parecer imparcial. E produz nos réus, não o que a justiça preconiza, mas  o que Dante escreveu no frontispício do Inferno: “Deixai toda esperança, vós que entrais”.

Na minha hipótese baterá nos trabalhadores no dia 1o de maio próximo com decisão punitiva sobre alguma personalidade ligada à esquerda. Explicitará mais uma vez uma justiça inquisitorial e ideológica, incompatível com o Estado de direito vigente no Brasil e com a República.

Obviamente que o meu artigo pretende, com essa óbvia profecia, refrear uma intenção em nada difícil de prever de que golpeará a classe trabalhadora no primeiro de maio vindouro, e o faço por tratar-se de uma sexta feira santa, dia de massacre de inocentes.

Hoje um tenor dos conservadores, o senador Álvaro Dias, reconheceu em Fachin, indicado pela presidenta Dilma para o STF, personagem digno e preparado.
A escolha de Dilma, então, buscou ser republicana. Importante exemplo para os dias que correm.




Cinco lições sobre a vida e o Direito 




Ministro Luis Roberto Barroso


Confira "manual de instruções" elaborado pelo ministro Luís Roberto Barroso, patrono da turma de 2014 da faculdade de Direito da UERJ.
Segunda-feira, 20/4/2015
Patrono da turma de 2014 da faculdade de Direito da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, proferiu emocionante discurso com reflexões essenciais relacionadas à vida e ao Direito. 

Confira a íntegra do texto.


__________
A vida e o Direito: breve manual de instruções

I. Introdução

Eu poderia gastar um longo tempo descrevendo todos os sentimentos bons que vieram ao meu espírito ao ser escolhido patrono de uma turma extraordinária como a de vocês. Mas nós somos – vocês e eu – militantes da revolução da brevidade. Acreditamos na utopia de que em algum lugar do futuro juristas falarão menos, escreverão menos e não serão tão apaixonados pela própria voz.

Por isso, em lugar de muitas palavras, basta que vejam o brilho dos meus olhos e sintam a emoção genuína da minha voz. E ninguém terá dúvida da felicidade imensa que me proporcionaram. Celebramos esta noite, nessa despedida provisória, o pacto que unirá nossas vidas para sempre, selado pelos valores que compartilhamos.

É lugar comum dizer-se que a vida vem sem manual de instruções. Porém, não resisti à tentação – mais que isso, à ilimitada pretensão – de sanar essa omissão. Relevem a insensatez. Ela é fruto do meu afeto. Por certo, ninguém vive a vida dos outros. Cada um descobre, ao longo do caminho, as suas próprias verdades. Vai aqui, ainda assim, no curto espaço de tempo que me impus, um guia breve com ideias essenciais ligadas à vida e ao Direito.

II. A regra nº 1

No nosso primeiro dia de aula eu lhes narrei o multicitado "caso do arremesso de anão". Como se lembrarão, em uma localidade próxima a Paris, uma casa noturna realizava um evento, um torneio no qual os participantes procuravam atirar um anão, um deficiente físico de baixa altura, à maior distância possível. O vencedor levava o grande prêmio da noite. Compreensivelmente horrorizado com a prática, o Prefeito Municipal interditou a atividade.

Após recursos, idas e vindas, o Conselho de Estado francês confirmou a proibição. Na ocasião, dizia-lhes eu, o Conselho afirmou que se aquele pobre homem abria mão de sua dignidade humana, deixando-se arremessar como se fora um objeto e não um sujeito de direitos, cabia ao Estado intervir para restabelecer a sua dignidade perdida. Em meio ao assentimento geral, eu observava que a história não havia terminado ainda.

E em seguida, contava que o anão recorrera em todas as instâncias possíveis, chegando até mesmo à Comissão de Direitos Humanos da ONU, procurando reverter a proibição. Sustentava ele que não se sentia – o trocadilho é inevitável – diminuído com aquela prática. Pelo contrário.

Pela primeira vez em toda a sua vida ele se sentia realizado. Tinha um emprego, amigos, ganhava salário e gorjetas, e nunca fora tão feliz. A decisão do Conselho o obrigava a voltar para o mundo onde vivia esquecido e invisível.

Após eu narrar a segunda parte da história, todos nos sentíamos divididos em relação a qual seria a solução correta. E ali, naquele primeiro encontro, nós estabelecemos que para quem escolhia viver no mundo do Direito esta era a regra nº 1: nunca forme uma opinião sem antes ouvir os dois lados.

III. A regra nº 2

Nós vivemos em um mundo complexo e plural. Como bem ilustra o nosso exemplo anterior, cada um é feliz à sua maneira. A vida pode ser vista de múltiplos pontos de observação. Narro-lhes uma história que li recentemente e que considero uma boa alegoria. Dois amigos estão sentados em um bar no Alaska, tomando uma cerveja. Começam, como previsível, conversando sobre mulheres. Depois falam de esportes diversos. E na medida em que a cerveja acumulava, passam a falar sobre religião.

Um deles é ateu. O outro é um homem religioso. Passam a discutir sobre a existência de Deus. O ateu fala: "Não é que eu nunca tenha tentado acreditar, não. Eu tentei. Ainda recentemente. Eu havia me perdido em uma tempestade de neve em um lugar ermo, comecei a congelar, percebi que ia morrer ali.

Aí, me ajoelhei no chão e disse, bem alto: Deus, se você existe, me tire dessa situação, salve a minha vida". Diante de tal depoimento, o religioso disse: “Bom, mas você foi salvo, você está aqui, deveria ter passado a acreditar". E o ateu responde: "Nada disso! Deus não deu nem sinal. A sorte que eu tive é que vinha passando um casal de esquimós. Eles me resgataram, me aqueceram e me mostraram o caminho de volta. É a eles que eu devo a minha vida". Note-se que não há aqui qualquer dúvida quanto aos fatos, apenas sobre como interpretá-los.

Quem está certo? Onde está a verdade? Na frase feliz da escritora Anais Nin, “nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós somos”. Para viver uma vida boa, uma vida completa, cada um deve procurar o bem, o correto e o justo. Mas sem presunção ou arrogância. Sem desconsiderar o outro.

Aqui a nossa regra nº 2: a verdade não tem dono.

IV. A regra nº 3

Uma vez, um sultão poderoso sonhou que havia perdido todos os dentes. Intrigado, mandou chamar um sábio que o ajudasse a interpretar o sonho. O sábio fez um ar sombrio e exclamou: "Uma desgraça, Majestade. Os dentes perdidos significam que Vossa Alteza irá assistir a morte de todos os seus parentes". Extremamente contrariado, o Sultão mandou aplicar cem chibatadas no sábio agourento. Em seguida, mandou chamar outro sábio. Este, ao ouvir o sonho, falou com voz excitada: "Vejo uma grande felicidade, Majestade. Vossa Alteza irá viver mais do que todos os seus parentes". Exultante com a revelação, o Sultão mandou pagar ao sábio cem moedas de ouro. Um cortesão que assistira a ambas as cenas vira-se para o segundo sábio e lhe diz: "Não consigo entender. Sua resposta foi exatamente igual à do primeiro sábio. O outro foi castigado e você foi premiado". Ao que o segundo sábio respondeu: "a diferença não está no que eu falei, mas em como falei".

Pois assim é. Na vida, não basta ter razão: é preciso saber levar. É possível embrulhar os nossos pontos de vista em papel áspero e com espinhos, revelando indiferença aos sentimentos alheios. Mas, sem qualquer sacrifício do seu conteúdo, é possível, também, embalá-los em papel suave, que revele consideração pelo outro.

Esta a nossa regra nº 3: o modo como se fala faz toda a diferença.

V. A regra nº 4

Nós vivemos tempos difíceis. É impossível esconder a sensação de que há espaços na vida brasileira em que o mal venceu. Domínios em que não parecem fazer sentido noções como patriotismo, idealismo ou respeito ao próximo. Mas a história da humanidade demonstra o contrário. O processo civilizatório segue o seu curso como um rio subterrâneo, impulsionado pela energia positiva que vem desde o início dos tempos. Uma história que nos trouxe de um mundo primitivo de aspereza e brutalidade à era dos direitos humanos. É o bem que vence no final. Se não acabou bem, é porque não chegou ao fim.

O fato de acontecerem tantas coisas tristes e erradas não nos dispensa de procurarmos agir com integridade e correção. Estes não são valores instrumentais, mas fins em si mesmos. São requisitos para uma vida boa. Portanto, independentemente do que estiver acontecendo à sua volta, faça o melhor papel que puder. A virtude não precisa de plateia, de aplauso ou de reconhecimento. A virtude é a sua própria recompensa.

Eis a nossa regra nº 4: seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando.


VI. A regra nº 5

Em uma de suas fábulas, Esopo conta a história de um galo que após intensa disputa derrotou o oponente, tornando-se o rei do galinheiro. O galo vencido, dignamente, preparou-se para deixar o terreiro. O vencedor, vaidoso, subiu ao ponto mais alto do telhado e pôs-se a cantar aos ventos a sua vitória. Chamou a atenção de uma águia, que arrebatou-o em vôo rasante, pondo fim ao seu triunfo e à sua vida. E, assim, o galo aparentemente vencido reinou discretamente, por muito tempo.

A moral dessa história, como próprio das fábulas, é bem simples: devemos ser altivos na derrota e humildes na vitória. Humildade não significa pedir licença para viver a própria vida, mas tão-somente abster-se de se exibir e de ostentar. Ao lado da humildade, há outra virtude que eleva o espírito e traz felicidade: é a gratidão. Mas atenção, a gratidão é presa fácil do tempo: tem memória curta (Benjamin Constant) e envelhece depressa (Aristóteles). Portanto, nessa matéria, sejam rápidos no gatilho. Agradecer, de coração, enriquece quem oferece e quem recebe.

Em quase todos os meus discursos de formatura, desde que a vida começou a me oferecer este presente, eu incluo a passagem que se segue, e que é pertinente aqui. "As coisas não caem do céu. É preciso ir buscá-las. Correr atrás, mergulhar fundo, voar alto. Muitas vezes, será necessário voltar ao ponto de partida e começar tudo de novo. As coisas, eu repito, não caem do céu. Mas quando, após haverem empenhado cérebro, nervos e coração, chegarem à vitória final, saboreiem o sucesso gota a gota. Sem medo, sem culpa e em paz. É uma delícia. Sem esquecer, no entanto, que ninguém é bom demais. Que ninguém é bom sozinho. E que, no fundo no fundo, por paradoxal que pareça, as coisas caem mesmo é do céu, e é preciso agradecer".

Esta a nossa regra nº 5: ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.

VII. Conclusão

Eis então as cláusulas do nosso pacto, nosso pequeno manual de instruções:

1. Nunca forme uma opinião sem ouvir os dois lados;
2. A verdade não tem dono;

3. O modo como se fala faz toda a diferença;

4. Seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando;

5. Ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.

Aqui nos despedimos. Quando meu filho caçula tinha 15 anos e foi passar um semestre em um colégio interno fora, como parte do seu aprendizado de vida, eu dei a ele alguns conselhos. Pai gosta de dar conselho. E como vocês são meus filhos espirituais, peço licença aos pais de vocês para repassá-los textualmente, a cada um, com toda a energia positiva do meu afeto:

(i) Fique vivo;

(ii) Fique inteiro
;
(iii) Seja bom-caráter;

(iv) Seja educado; e

(v) Aproveite a vida, com alegria e leveza.


Vão em paz. Sejam abençoados. Façam o mundo melhor. E lembrem-se da advertência inspirada de Disraeli: 

"A vida é muito curta para ser pequena".

domingo, 29 de março de 2015

As ilusões da direita no Brasil


Uma ilusão muito importante é a de que tudo vai muito bem pelo mundo, só no Brasil ou na América do Sul dominada pelas esquerdas é que não.




Por Flávio Aguiar, no sítio Carta Maior
As ilusões da direita no Brasil se dividem em dois grupos: o daquelas que ela quer vender para a população em geral, e o daquelas que ela mantém por si mesma, e para si. 

Dentre as primeiras – aquelas à venda – destaca-se a de uma frase atribuída ao senador Aécio Neves: “para resolver o problema da corrupção no Brasil basta tirar o PT do governo”, ou algo parecido. Simplória, simplista, não li desmentido: ficou o não dito pelo dito. Vai na esteira da superstição martelada pela mídia de que a corrupção foi fundada pelo PT, alimentada por comportamentos no Judiciário de juízes como Joaquim Barbosa e Sérgio Moro. 

Mas há outras no mercado. Outra muito importante é a de que nas aparências tudo vai muito bem pelo mundo, só no Brasil ou na América do Sul dominada pelas esquerdas é que não. A Europa não está em estado falimentar, os Estados Unidos não estão pressionados por uma crise sem precedentes, só há corrupção no Brasil e no Terceiro Mundo, o Japão vai muito bem, embora estagnado há décadas e por aí adiante. 

Outras ilusões vendidas: caso ganhe as eleições presidenciais algum dia, a direita não vai mexer nos direitos trabalhistas. Vai sim. Vai mexer nas férias remuneradas, no salário mínimo, na Justiça do Trabalho, nas indenizações, em suma, em tudo aquilo que ela vê como elevação do “custo Brasil”, quer dizer, as obrigações sociais que o empresariado tem de cumprir. Espero que quem viver não veja, mas quem ver a vitória da direita, verá. 

Mas as piores, as mais daninhas, são aquelas que a direita mantém para si mesma. Vamos começar pelas internas. Cada grupo, cada político da direita, alimenta a ilusão de que poderá livremente instrumentar os e as demais. Serra acha que poderá instrumentar Aécio e Alckmin, este que vai instrumentar os outros dois e aquele, este e aqueloutro. FHC acha que poderá instrumentar todos eles em função de seu sonho de garantir seu lugar no Panteão dos grandes chefes de estado nacionais, transformadores e consolidadores, por ora ocupado por Pedro II, Vargas e Lula, nesta ordem cronológica. Vã ilusão de todos. Haverá uma briga de foice entre eles, e FHC já está condenado a ser o ex-intelectual brilhante, ainda que conservador, que esqueceu tudo o que escreveu antes e se tornou um político medíocre, aprendiz de golpista nos últimos tempos. 

Além disto, os líderes da direita pensam que poderão instrumentar os movimentos de rua, os pró-impeachment, os pró-ditadura e os pró-coisa nenhuma, e estes pensam que poderão instrumentar aqueles e os outros movimentos. Esta ilusão pode sair cara a eles, mas será mais cara a nós, democratas pró ou contra o governo, pois se aqueles prevalecerem eles começarão por comer quem a eles se opuser mas terminarão por se comer a si mesmos, num processo longo, doloroso, inseguro, e cheio de solavancos, como aconteceu com a ditadura de 21 anos que engolimos décadas atrás. 

Também alimentam a ilusão de que serão recebidos como salvadores da pátria. A menos que tenham o apoio das Forças Armadas e que estas calem os movimentos sociais à bala, o que parece improvável, uma vitória do impeachment, por exemplo, mergulhará o país no caos, além de liberar de fato uma gandaia de corrupção, pois a PF perderá a autonomia, o Ministério da Justiça virará um bordel, o Procurador Geral da Republica voltará a ser o Engavetador-Mór, etc.,  o arrocho em cima dos trabalhadores, aposentados e estudantes seguirá o modelo europeu, enfim, o Brasil vai virar uma república dividida entre a banana e o abacaxi, além do pepino. 

Por fim, a direita alimenta a ilusão, esta para si e também à venda, de que será recebida de braços abertos pela “comunidade internacional”, aquela que para ela conta: a Europa Ocidental, ou circuito Helena Rubinstein, os Estados Unidos, supermercados de Miami à frente, e o Japão, recessão à parte. Vã ilusão. Seremos recebidos – pois estaremos juntos nesta anti-aventura – com risotas de bastidor, finalmente reconduzidos ao curral de onde nunca deveríamos ter saído, aquele reservado aos pobres que não têm remédio nem saída, governados pelos oligarcas de plantão. 

A outra ilusão é a de que tudo isto é possível. Não é mais. O Brasil não voltará ser o que era. O Brasil enveredou para o futuro. Seja lá o que seja ele.
 

sexta-feira, 27 de março de 2015

A Standard & Poor destruiu o discurso apocalítico da mídia ao trazer ao debate uma coisa: a verdade.

Se você acreditou na Empiricus e se encheu de dólar, más notícias

Por Paulo Nogueira, no DCM

Se você acreditou na Empiricus e se encheu de dólar, más notícias
Não há muito tempo, o Brasil parecia em estado terminal, no noticiário das grandes empresas jornalísticas.
Com evidente alegria, os editores e comentaristas empilhavam previsões apocalípticas.
O G1 – cujo chefe, Erick Bretas, conclamou os seguidores no Facebook a bater pernas no protesto de 15 de março – lutava para dar o furo do fim do mundo, ou especificamente do Brasil.
Na manchete, várias vezes, você tinha no G1, em tempo real, a marcha do dólar.
A consultoria de investimentos Empiricus contribuía para a atmosfera fúnebre. Anúncios seus espalhados pela internet traziam um título assustador: “O dólar a 4”.
Dentro desse clima, lances teatrais espoucavam aqui e ali. Num deles, um colunista econômico avisou que estava deixando o Brasil. Miami o chamava.
Era um Bolsa Patroa. Sua mulher ganhara uma bolsa e ele pegou carona. Mas, para todos os efeitos, o bilhete aéreo do colunista sugeria o começo de um êxodo dos melhores cérebros nacionais.
Alguns imaginaram: agora até o Lobão vai embora.
Para os que torcem pelo pior, como a mídia, tudo corria bem – até que uma coisa se impôs.
A verdade.
Ela apareceu numa análise que nenhum jornalista da grande mídia tem competência ou coragem para contestar.
Quem a produziu foi a agência de análise de risco S&P. Os colunistas brasileiros podem errar quanto quiserem, desde que seja contra o PT. Não acontece nada.
Mas cabeças rolam na S&P caso as previsões sejam erradas, porque há muito dinheiro em jogo. Se os investidores colocarem recursos em países ou empresas que tenham a chancela de uma agência e se derem mal, as consequências imediatamente se manifestam.
E a S&P disse o seguinte sobre 2015, em linhas básicas: a economia do Brasil deve recuar 1%, para crescer 2% em 2016.
O dólar médio deve ficar em 3,1 reais. (O que quer dizer que quem acreditou na Empiricus e se abarrotou de dólares pode já pensar na hipótese de processá-la.)
Para chancelar essa visão, a S&P manteve a classificação do Brasil como um bom lugar para investir.
Para quem acompanha – e acredita – nas colunas econômicas da imprensa, foi uma surpresa formidável.
Como assim? Quero bater panelas.
A Petrobras, que a mídia transformou num cadáver, recebeu um voto de confiança expressivo da agência. Manteve sua boa classificação.
Como assim? Quero gritar que o patrimônio nacional foi dilapidado e ir para as ruas com a roupa da seleção.
Todo o drama que a mídia anunciava foi pulverizado com uma simples análise de quem é do ramo.
O quadro é aquele para o ano. Uma queda de 1% na economia não deve ser comemorada com champanha, naturalmente, mas está longe de ser um desastre.
Se administrada de tal forma que os mais humildes sejam poupados, sai na urina, como dizia minha Tia Zete.
Sem se dar conta, a S&P tirou a voz dos profetas do apocalipse. Caso insista em dar o dólar em tempo real na primeira página, o G1 vai ficar até dezembro girando pateticamente em torno de 3,1 reais.
Os comentaristas se recolheram, prudentemente.
Sobraram no palco os tolos, como o senador Aécio Aeroporto Neves. Aécio disse que Dilma deve desculpas por tirar perspectiva de futuro melhor para os brasileiros.
Ora, sabemos todos como seriam as “medidas impopulares” que Aécio prometeu à plutocracia que adotaria caso se elegesse.
Sabemos também quem mereceria sua atenção como presidente – ela mesma, a plutocracia que tanto lutou para levá-lo ao Planalto.
Tudo isso posto, quem acredita que os brasileiros se dariam melhor com Aécio acredita em tudo, como disse Wellington.
A S&P reduziu ao silêncio o tom dos gerentes gerais da catástrofe alojados na mídia.
Falta Aécio cair na real.

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Dinheiro sujo do Suiçalão pagou campanhas do PSDB?



suic3a7alc3a3o

Por Miguel do Rosário, no Cafezinho

Nada como um dia após o outro!
Como desconfiávamos, o Suiçalão é um covil de tucanos gordos.
Agora entendemos porque Fernando Rodrigues sentou-se em cima da lista por tanto tempo, e ainda tentou engambelar a sociedade com aquele papo de que só divulgaria nomes com “interesse público”.
Interesse público uma pinoia!
Diante da pressão das redes sociais, Rodrigues sentiu a batata assando e passou a bola pra Globo, até porque somente a Globo tem capacidade para criar uma narrativa astuta o suficiente para denunciar sonegadores, e ao mesmo tempo protegê-los da sanha justiceira do populacho.
É uma hipocrisia tão grande quanto Agripino Maia participando de marcha contra a corrupção.
A Globo revela que o tesoureiro de várias campanhas presidenciais tucanas, Marcio Fortes, tinha conta secreta na Suíça, não-declarada à Receita Federal, e que esse mesmo tesoureiro fazia doações pessoais milionárias para campanhas eleitorais do PSDB.
Segundo a reportagem, no ano 2000 Fortes foi a pessoa física que mais doou dinheiro ao PSDB – o equivalente a 21% do total arrecadado pela legenda nessa modalidade de financiamento.
Seria Marcio Fortes o “homem da mala” do PSDB, cujas campanhas ele abastecia com dinheiro sonegado à Receita, possivelmente fruto de propinas, já pagas ou agendadas para serem pagas após as eleições, caso o PSDB cumprisse o prometido?
O PSDB cumpriu o prometido, com prazer. O governo FHC privatizou dezenas de estatais, inclusive metade da Petrobrás, cujas ações foram vendidas a preço de banana na bacia das almas da bolsa de Nova York.
Diante de tudo isso, qual é a manchete do Globo?
“Políticos também tinham conta no HSBC”.
Ora, vão pentear bodes!
A manchete tinha de ser: Dinheiro sujo do Suiçalão comprou campanhas do PSDB.
Mas tudo bem, vira manchete no Cafezinho.
Outra notícia bastante interessante é a de que Fortes, que foi candidato a vice-governador na chapa de Fernando Gabeira, em 2010, doou meio milhão para a campanha do nosso ex-querido defensor da maconha. E isso dias depois de Gabeira ameaçar “dar uma banana” ao PSDB caso não recebesse mais apoio financeiro.
Ah, Gabeira, isso é mucho loco bicho! O seu baseado eleitoral foi pago com dinheiro sujo do Suiçalão!
Agora vai ficar difícil para você manter a pose de lacerdista indignado em seus artigos.
Se tivessem encontrado algum petista graúdo no Suiçalão, seriam 20 minutos de Jornal Nacional, manchetes garrafais nos jornalões de todo país, e dá-lhe martelar a notícia de dez em dez minutos nas rádios corporativas.
Ah, encontraram um petista, o vereador Marcelo Arar.
Só que tem um detalhe. Na época em que abriu e fechou a conta secreta, Marcelo Arar era filiado ao PSDB.
Como diria o blogueiro Paulo Henrique Amorim: quá, quá, quá!
O petista que encontraram no Suiçalão é, na verdade, um tucano!
De qualquer forma, é peixe pequeno.
O nome pesado da lista, o que tem mais “interesse público” é Marcio Fortes, secretário nacional do PSDB e tesoureiro de inúmeras campanhas tucanas.
(Atualização: Fortes foi tesoureiro nacional do partido).
Se o Suiçalão já pegou um montão de tucano gordo, Marcio Fortes pode ser considerado o mais obeso de todos.
É um tucano obeso-mórbido!
A Globo e a mídia, em geral, tentam desviar a atenção da opinião pública, misturando esse tubarão branco a um monte de lambari de outros partidos.
Nem vem que não tem.
É preciso focar em Marcio Fortes, ele é a chave da cadeia onde vários tucanos poderiam passar uma belíssima temporada, caso tivéssemos um ministério público e uma justiça republicanos o suficiente para enfrentar a Globo e prender corruptos do PSDB.
Assim como Aécio Neves, cujo pai foi deputado da Arena, o partido oficial do regime militar, Marcio Fortes também é um filhote da ditadura.
Aos 34 anos, em pleno regime de exceção, Fortes foi nomeado secretário-geral do Ministério da Fazenda, na gestão de Karlos Heinz Rischbieter. Nessa condição foi, por várias vezes, ministro da Fazenda interino.
Desde então, Fortes surfaria na crista da onda, ocupando sempre os cargos que mais lidavam com dinheiro.
Assumiu a presidência do BNDES em 1987, à frente do qual comandou o primeiro programa de privatização do país.
De 1993 a 1994, Fortes foi secretário de obras do município do Rio de Janeiro, função que lhe permitiu amealhar os recursos para fazer uma campanha eleitoral milionária em 1994.
De 1999 a 2003 foi secretário-geral do PSDB.
Fortes está relacionado a três contas no HSBC suíço, mas não sabemos quanto dinheiro, no total, ele movimentou. A Globo só nos informa que uma das contas ainda estava ativa em 2007, com um saldo de 2,4 milhões de dólares.
Ora, não queremos apenas o saldo. Queremos o extrato!
O tucano foi dono de uma empresa de construção civil, a João Fortes. Um ramo de negócios bastante conveniente para um político que é “secretário municipal de Obras”.
Imagine se Lula fosse dono de empreiteira, tivesse conta secreta não-declarada na Suíça e tivesse sido o principal doador individual para campanhas do PT?
Seria um escândalo. Mas tucano é que nem índio: inimputável. Pode cometer o crime que for, não há editoriais indignados, nem “protestos” de rua.
Os “revoltados online” também não parecem dar muita bola para os crimes de colarinho branco cometidos pelos bicudos.
Cada vez eu entendo mais a amargura de um Aloizio Mercadante e dos petistas de São Paulo, de maneira geral: eles devem praguejar contra o destino, todos os dias, por não lhes terem concedido a graça divina de nascerem tucanos.
Só tem uma categoria profissional, além de petistas de SP, com mais inveja de tucanos: narcotraficantes. Todos eles devem invejar o dono daquele carregamento de meia tonelada encontrada no helicóptero. Como o proprietário do helicóptero era senador amigo de tucano, não aconteceu nada, ninguém foi preso.
Se um petista graúdo (e autêntico, petista mixuruca e tucano como Marcelo Arar não conta) fosse pego com conta secreta na Suíça, não declarada à Receita, teria que se aconselhar com José Dirceu para saber como conviver com repórteres dia e noite acampados na porta da sua casa.