segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Crise: As Primaveras do Terror U.S.A






Por Mauro Santayana, reproduzido do site de Luis Nassif


(Jornal do Brasil) - Há alguns dias, terroristas franceses, ligados, aparentemente, à Al Qaeda, atacaram a redação do jornal satírico parisiense Charlie Hebdo, em represália pela publicação de caricaturas sobre o profeta Maomé.
Doze pessoas foram assassinadas, entre elas alguns dos mais famosos cartunistas e intelectuais do país, e dois cidadãos de origem árabe, um deles, estrangeiro, que trabalhava há pouco tempo na publicação, e um membro das forças de segurança que estava nas imediações.
Logo em seguida, houve, também, outro ataque, a um supermercado kosher na periferia de Paris, em que 4 judeus franceses e estrangeiros morreram.
Dias depois, milhões de pessoas, e personalidades de vários países do mundo, se reuniram nas ruas da capital francesa, para protestar contra o atentado, e se manifestar contra o terrorismo e pela liberdade de expressão.
Na mesma primeira quinzena de janeiro, explodiram carros-bomba, e homens-bomba, também ligados a grupos radicais islâmicos, no Líbano (Beirute), na Síria (Aleppo), na Líbia (Benghazi), e no Iraque (Al-Anbar), com dezenas de mortos, em sua maioria civis.
Mas, como sempre, não seria normal esperar que algum destes fatos tivesse a mesma repercussão do atentado em Paris, capital de um país europeu, ou que a alguém ocorresse produzir cartazes e neles escrever Je suis Ahmed, ou Je suis Ali, ou Je suis Malak, Malak Zahwe, a garota brasileira, paranaense, de 17 anos, que morreu na explosão de um carro-bomba, junto com mais 4 pessoas (20 ficaram feridas), no dia 2 de janeiro, em Beirute.
No entanto, os homens, mulheres e crianças, mortos, todos os dias, no Oriente Médio e no Norte da África, são tão frágeis e preciosos, em sua fugaz condição humana, quanto os que morreram na França, e vítimas dos mesmos criminosos, criados pela onda de radicalização e rápida expansão do fundamentalismo islâmico, nos últimos anos.
Raivosas, autoritárias, intempestivas, numerosas vozes se alçaram, em vários países, incluído o Brasil, para gritar - em raciocínio tão ignorante quanto irascível - que o terrorismo não tem que ser "compreendido" e, sim, "combatido".
Os filósofos e estrategistas chineses ensinam, há séculos, que sem conhecê-los, não é possível vencer os eventuais adversários, nem mudar o mundo.
Além disso, não podemos, por aqui, por mais que muitos queiram emular os países "ocidentais", em seu ardoroso "norte-americanismo" e "eurocentrismo", esquecer que existem diferenças históricas, e de política externa, entre o Brasil, os EUA, e países da OTAN como a França.
Podemos dizer que Somos Charlie, porque defendemos a liberdade e a democracia, e não aceitamos que alguém morra por fazer uma caricatura, do mesmo jeito que não podemos aceitar que uma criança pereça bombardeada pela OTAN no Afeganistão ou na Líbia, ou porque estava de passagem, no momento em que explodiu um carro-bomba, por um posto de controle em Aleppo, na Síria.
Mas é preciso lembrar que, ao contrário da França, nunca colonizamos países árabes e africanos, não temos o costume de fazer charges sobre deuses alheios em nossos jornais, não jogamos bombas sobre países como a Líbia, não temos bases militares fora do nosso território, não colaboramos com os EUA em sua política de expansão e manutenção de uma certa "ordem" ocidental e imperial, e, talvez, por isso mesmo - graças a sábia e responsável política de Estado, que inclui o princípio constitucional de não intervenção em assuntos de outros países - não sejamos atacados por terroristas em nosso território.
As raízes dos atentados de Paris, e do mergulho do Oriente Médio na maior, e, com certeza, mais profunda tragédia de sua história, não está no Al Corão ou nas charges contra o Profeta Maomé, embora estas últimas possam ter servido de pretexto para ataques como o que ocorreu em Paris.
Elas começaram a se tornar mais fortes, nos últimos anos, quando o "ocidente", mais especificamente alguns países da Europa e os EUA, tomaram a iniciativa de apoiar e insuflar, usando também as redes sociais, o "conto do vigário" da Primavera Árabe em diversos países, com a intenção de derrubar regimes nacionalistas que, com todos os seus defeitos, tinham conquistado certo grau de paz, desenvolvimento e estabilidade para seus países nas últimas décadas.
Inicialmente promovida, em 2011, como "libertária", "revolucionária", a Primavera Árabe iria, no curto espaço de três anos, desestabilizar totalmente a região, provocar massacres, guerras civis, golpes de Estado, e alcançar, por meio da intervenção militar direta e indireta da OTAN e dos EUA em vários países, a meta de tirar do poder, a qualquer custo, regimes que lutavam para manter um mínimo de independência e soberania em suas relações com os países mais ricos.
Quando os EUA, com suas "primaveras" - que não dão flores, mas são fecundas em crimes e cadáveres - não conseguem colocar no poder um governo alinhado com seus interesses, como na Ucrânia e no Egito, jogam irmão contra irmão e equipam com armas, explosivos, munições, terroristas, bandidos e assassinos para derrubar quem estiver no comando do país.
O objetivo é destruir a unidade nacional, a identidade local, o Estado e as instituições, para que essas nações não possam, pelo menos durante longo período, voltar a organizar-se, a ponto de tentar desafiar, mesmo que em pequena escala, os interesses norte-americanos.
Foi assim que ocorreu com a intervenção dos EUA e de aliados europeus como a Itália e a França - contra a recomendação de Brasil, Rússia, Índia e China, no Conselho de Segurança da ONU - no Iraque, na Líbia e na Síria.
Durante décadas, esses países - com quem o Brasil tinha, desde os anos 1970, boas relações - viveram sob relativa estabilidade, com a economia funcionando, crianças indo para a escola, e diferentes etnias, religiões e culturas, dividindo, com eventuais disputas, o mesmo território.
Estradas, rodovias, sistemas de irrigação, foram construídos - também com a ajuda de técnicos, operários e engenheiros brasileiros - com os recursos do petróleo, e países como o Iraque chegavam a importar automóveis, como no caso de milhares de Volkswagens Passat fabricados no Brasil, para vender aos seus cidadãos de forma subsidiada.
Na Líbia de Muammar Kadafi, segundo o próprio World Factbook da CIA, 95% da população era alfabetizada, a expectativa de vida chegava, para os homens, segundo dados da ONU, a 73 anos, e a renda per capita e o IDH estavam entre os maiores do Terceiro Mundo, mas esses dados nunca foram divulgados normalmente pela imprensa "ocidental".
Pode-se perguntar a milhares de brasileiros que estiveram no Iraque, que hoje têm entre 50 e 70 anos de idade, se, naquela época, sunitas e xiitas se matavam aos tiros pelas ruas, bombas explodiam em Basra e Bagdá todos os dias, como explodem hoje, a qualquer momento, também em Trípoli ou Damasco, ou milhares de órfãos tentavam atravessar montanhas e rios sozinhos, pisando nos restos de outras crianças, mortas em conflitos incentivados por "potências" estrangeiras, ou tentavam sobreviver caçando, a pedradas, ratos por entre escombros das casas e hospitais em que nasceram.
São, curdos, xiitas, sunitas, drusos, armênios, cristãos maronitas, inimigos?
Antes, trabalhavam nos mesmos escritórios, viviam nas mesmas ruas, seus filhos frequentavam as mesmas salas de aula, mesmo que eles não tivessem escolhido, no início, viver como vizinhos.
Assim como no caso de hutus e tutsis em Ruanda, e em inúmeras ex-colônias asiáticas e africanas, as fronteiras dos países do Oriente Médio foram desenhadas, na ponta do lápis, ao sabor da vontade do Ocidente, quando da partilha do continente africano por europeus, obedecendo não apenas ao resultado de Conferências como a de Berlim, em 1884, mas também à máxima de que sempre se deve "dividir para comandar", mantendo, de preferência, etnias de religiões e idiomas diferentes dentro de um mesmo território ocupado pelo colonizador.
Eram Saddam Hussein e Muammar Kadafi, ditadores? É Bashar Al Assad, um déspota sanguinário?
Quando eles estavam no poder, não havia atentados terroristas em seus países.
E qual é a diferença deles e de seus regimes, para os líderes e regimes fundamentalistas islâmicos comandados por xeques e emires, na mesma região, em que as mulheres - ao contrário dos governos seculares de Saddam, Kadafi e Assad - são obrigadas a usar a burka, não podem sair de casa sem a companhia do irmão ou do marido, se arriscam a ser apedrejadas até a morte ou chicoteadas em caso de adultério, e não há eleições, a não ser o fato de que esses regimes são dóceis aliados do "ocidente" e dos EUA?
Se os líderes ocidentais viam Kadafi como inimigo, bandido, estuprador e assassino, por que ele recebeu a visita do primeiro-ministro britânico Tony Blair, em 2004; do Presidente francês Nicolas Sarkozy - a quem, ao que tudo indica, emprestou 50 milhões de euros para sua campanha de reeleição - em 2007; da Secretária de Estado dos EUA, Condoleeza Rice, em 2008; e do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi em 2009?
Por que, apenas dois anos depois, em março de 2011 - depois de Kadafi anunciar sua intenção de nacionalizar as companhias estrangeiras de petróleo que operavam, ou estavam se preparando para entrar na Líbia (Shell, ConocoPhillips, ExxonMobil, Marathon Oil Corporation, Hess Company) esses mesmos países e os EUA, atacaram, com a desculpa de criar uma Zona de Exclusão Aérea sobre o país, com 110 mísseis de cruzeiro, apenas nas primeiras horas, Trípoli, a capital líbia, e instalações do governo, e armaram milhares de bandidos - praticamente qualquer um que declarasse ser adversário de Kadafi - para que o derrubassem, o capturassem e finalmente o espancassem, a murros e pontapés, até a morte?
Ora, são esses mesmos bandidos, que, depois de transformar, com armas e veículos fornecidos por estrangeiros, a Líbia em terra de ninguém, invadiram o Iraque e, agora, a Síria, e se uniram para formar o Estado Islâmico, que pretende erigir uma grande nação terrorista juntando o território desses três países, não por acaso os que foram mais devastados e destruídos pela política de intervenção do "ocidente" na região, nos últimos anos.
Foram os EUA e a Europa que geraram e engordaram a cobra que ameaça agora devorar a metade do Oriente Médio, e seus filhotes, que também armam rápidos botes no velho continente. Serpentes que, por incompetência e imprevisibilidade, depois da intervenção na Líbia, a OTAN e os EUA não conseguiram manter sob controle.
Os Estados Unidos podem, pelo arbítrio da força a eles concedida por suas armas e as de aliados - quando não são impedidos pelos BRICS ou pela comunidade internacional - se empenhar em destruir e inviabilizar pequenas nações - que ainda há menos de cem anos lutavam desesperadamente por sua independência - para tentar estabelecer seu controle sobre elas, seu povo e seus recursos, objetivo que, mesmo assim, nunca conseguiram alcançar militarmente.
Mas não podem cometer esses crimes e esses equívocos, diplomáticos e de inteligência, e dizer, cinicamente, que o fizeram em nome da defesa da Liberdade e da Democracia.
Assim como não deveriam armar bandidos sanguinários e assassinos para combater governos que querem derrubar, e depois dizer que são contra o terrorismo que eles mesmos ajudaram a fomentar, quando esses mesmos terroristas, além de explodir bombas e matar pessoas em Bagdá, Damasco ou Trípoli, todos os dias, passam a fazer o mesmo nas ruas das cidades da Europa ou dos próprios Estados Unidos.
O "terrorismo" islâmico não nasceu agora.
Mas antes da balela mortífera da Primavera Árabe, e da Guerra do Iraque, que levou à destruição do país, com a mentirosa desculpa da posse, por Saddam Hussein, de armas de destruição em massa que nunca foram encontradas - tão falsa quanto o pretexto do envolvimento de Bagdá no ataque às Torres Gêmeas, executado por cidadãos sauditas, e não líbios, sírios ou iraquianos - não havia bandos armados à solta, sequestrando, matando e explodindo bombas nesses 3 países.
Hoje, como resultado da desastrada e criminosa intervenção ocidental, o terror do Estado Islâmico, o ISIS, controla boa parte dos territórios e da sofrida população síria, iraquiana e líbia, e, a partir deles, está unindo suas conquistas em torno da construção de uma nação maior, mais poderosa, e extremamente mais radical do ponto de vista da violência e do fundamentalismo, do que qualquer um desses países jamais o foi no passado.
O ataque terrorista à redação e instalações do semanário francês Charlie Hebdo, e do Mercado Kosher, em Vincennes, Paris, foram crimes brutais e estúpidos.
Mas não menos brutais, e estúpidos, do que os atentados cometidos, todos os dias, contra civis inocentes, entre muitos outros lugares, como a Síria, o Iraque, a Líbia, o Afeganistão.
Quem quiser encontrar as sementes do caos que também atingiram, em forma de balas, os corpos dos mortos do Charlie Hebdo poderá procurá-las no racismo de um continente que acostumou-se a pensar que é o centro do mundo, e que discrimina, persegue e despreza, historicamente, o estrangeiro, seja ele árabe, africano ou latino-americano; e no fundamentalismo branco, cristão e rançoso da direita e da extrema direita norte-americanas, cujos membros acreditam piamente que o Deus vingador da Bíblia deu à "América" do Norte o "Destino Manifesto" de dirigir o mundo.

Em nome dessa ilusão, contaminada pela vaidade e a loucura, países que se opuserem a isso, e milhões de seres humanos, devem ser destruídos, mesmo que não haja nada para colocar em seu lugar, a não ser mais caos e mais violência, em uma espiral de destruição e de morte, que ameaça a sobrevivência da própria espécie e explode em ódio, estupidez e sangue, como agora, em Paris, neste começo de ano.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Acordo histórico em Queimadas

       

Maurinho sela acordo com Dr. André

Cresce apoio à candidatura Dr. André em 2016







       O sonho (pesadelo para a maioria da população) do atual alcaide queimadense, Tarcísio Pedreira de se manter no poder até 2020 (acredita que será reeleito no próximo ano) se tornou cinzento nestes últimos dias. Numa surpreendente reviravolta política a oposição selou um acordo que pode garantir sua (da oposição) vitória no pleito de 2016. O sempre cabalístico José Mauro de Oliveira garantiu seu apoio à chapa a ser encabeçada por Dr. André (PT) nas eleições de 2016.
       
      O anúncio público do acordo fechado vai ser feito pelo próprio ex-prefeito Maurinho hoje, ou amanhã por meio das emissoras de rádio. Ele vai explicar as razões de sua decisão, denunciar o desastre da atual administração e conclamar como costuma dizer "meu povo a dar um basta a esta tragédia que é a atual administração".

       


       O acordo político foi fechado esta semana numa reunião que durou mais de duas horas e que contou com a participação dos quatro vereadores de oposição - Paulo do Riacho, Neto e Lázaro José (PT) - e Luiz Carneiro (PSC).

       O encontro foi cheio de simbolismos e foi feito à pedido do ex-prefeito José Mauro de Oliveira Filho que fez questão de ressaltar que oferecia o apoio sem exigir nada. "Apenas com o objetivo de interromper este desastre administrativo. Queimadas entrou em colapso e é preciso fecharmos esta sangria desatada", disse Maurinho.

       Se este acordo agora selado tivesse ocorrido nas eleições de 2012 a vitória teria sido de Dr. André. É que somados os votos de Dr. André (5.014) com os de Bárbara (2.243) a oposição teria obtido mais de 7.250 votos, ou seja, teria vencido as eleições por uma diferença de 646 votos, ou por um percentual de 9%, uma vez que o atual alcaide recebeu 6.615 votos.

       Só para lembrar aos mais fracos de memória a oposição elegeu seis dos atuais 11 vereadores. Mário Régis (PTN) foi apoiado por Maurinho; Valda (PSD) fazia parte da coligação do PT e Luiz Carneiro que apesar de ser  do PSC votou com Dr. André. Portanto, este acordo histórico nas hostes da oposição pode selar definitivamente o ocaso o atual prefeito.

       Mas não só por isso, é claro. A marca da atual administração é a incompetência. O prefeito Tarcísio Pedreira comprova o "Princípio de Peter" ou, ainda melhor, o "Princípio da Incompetência de Peter" que diz que "num sistema hierárquico, todo funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência". Em outras palavras, o atual alcaide galgou alguns cargos e ao ser promovido a prefeito alcançou o seu nível de incompetência.

       Claro que este princípio enunciado por três escritores americanos em 1969 (mas, elaborado mais a fundo, posteriormente, por um deles (Peter), faz referência à sua aplicação na administração. No entanto, como sabemos, Tarcísio Pedreira é um político profissional e o seu labor é a política ou, o emprego público. De assessor a vereador veio alcançar seu nível de incompetência como prefeito. Ainda nos tempos da Roma Antiga vigia a máxima de que "o soldado tem direito a um comando competente".


Mercado Municipal e MP


       Mais dois fatos políticos poderão enterrar o já cambaleante projeto político do alcaide Tarcísio Pedreira e levar ao colapso final a atual gestão. Primeiro, se confirmadas forem as informações de que o atual secretário da Educação, Léo Floriani irá assumir o controle financeiro das secretarias da Saúde e Ação Social. Não é  novidade para ninguém que ele, hoje, é um supersecretário e convive na "cozinha" de "mainha".

       Qual seria o papel, por exemplo da secretária de Saúde, Indira Sales com uma intervenção tão brutal no seu mister? Vai aceitar pacificamente ser a vitrine do "faz de conta"? E o grupo político que apoiou a sua indicação concorda com esta medida extrema? Em outras palavras, Indira Sales engolirá ser transformada em mera assessora de Léo?

       No início da atual gestão fazer parte deste grupo seleto dava "status". Os que de lá saíram ou foram descartados sem cerimônia, hoje choramingam sentados nas cadeiras em varandas sombrias e cheias de maus presságios. Será esse, também, o futuro do agora prestigiado secretário? O que se tem certeza é de que existem cadeiras vazias à espera de descontentes. Às dezenas.

       O segundo fato político pode vir a representar a maior derrota política do prefeito Tarcísio Pedreira: a derrocada do projeto de lei que pretende apresentar, mais uma vez, à Camara Municipal para a venda do prédio do Mercado Municipal. No ano passado foi obrigado a recuar do propósito e retirou de pauta o projeto. Este ano, com a eleição do vereador Renato Varjão à presidência da Câmara o tema voltou a dominar os debates políticos.

       Só que, dessa vez, ele vai contar com outra frente de oposição: a do ex-prefeito José Mauro de Oliveira Filho que durante a reunião em que selou seu apoio à candidatura do Dr. André nas eleições do próximo ano recebeu a garantia dos quatro vereadores presentes de que eles votarão contra o projeto. "Posso apostar meu carro de que vocês votarão contra o projeto"? questionou Maurinho recebendo resposta unânime.

       O próprio ex-prefeito informou que abrirá novas frentes de luta contra a venda do patrimônio público. Nos próximos dias disse que vai ao Ministério Público com um abaixo assinado contra a venda do Mercado Municipal. Com o apoio dos quatro vereadores de oposição e mais a do vereador Mário Régis que já se manifestou publicamente contra o projeto, a possibilidade é de uma derrota retumbante do alcaide.


       Resta ao ex-prefeito a possibilidade do Congresso Nacional aprovar a coincidência das eleições. Ou seja, juntar num bolo só eleição presidencial e municipal. Para isso os mandatos dos atuais prefeitos terão que ser prorrogados por mais dois anos quando então teríamos eleições gerais (2018). Por enquanto é só um sonho do alcaide. Mas um pesadelo sem tamanho para os queimadenses.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Por um 2015 melhor






Não confiem nas palavras, no sorriso e muito menos nos recuos ou derrotas impostos pela sociedade queimadense ao atual alcaide. O golpe, dessa vez ampliado, está sendo urdido com a mesma destreza que caracteriza este desgoverno nos porões da "Casa de Mainha". É lá que se tramam os malfeitos de uma organização encastelada no poder disposta a tudo para dilapidar o patrimônio público em negócios, no mínimo, diga-se, suspeitos.

Que a sociedade queimadense esteja alerta neste 2015: o Prefeito Tarcísio Pedreira não desistiu da venda do Mercado Municipal e nem esqueceu (como poderia?) do crédito (lembram?) de R$ 15 milhões que ele tentou vender ao Banco Safra (denúncia feita por este blog) que obrigou o prefeito a desistir, naquele momento, da empreitada criminosa.



         Leitores cobram uma retrospectiva (balanço) da atual administração. Acredito ser mais adequado um outro tipo de análise. A de que o atual governo chega à metade de seu mandato (dois anos) e pouco, muito pouco tem a comemorar. Mas a população tem muito a chorar. O mais grave: aprofundou-se a crise econômico financeira, ou seja, o fosso cresceu e nos quatro cantos do município é fácil perceber os vazamentos e os odores característicos. O cenário é desolador.
      
       Não sem razão as tentativas, ambas frustradas (por enquanto), da venda de ativos do município para fazer caixa não se sabe para que, ou para quem. Mas o desastre administrativo que se vê refletido na própria sede do município, retrato hoje do caos dessa gestão é incomparavelmente menor do que a tragédia política que se abateu sobre o atual alcaide nesses dois anos.

       Desculpem-me os bovinos, mas a situação política do atual prefeito de Queimadas remete-me à lembranças de um passado que todos, pelo menos os mais velhos, gostariam de esquecer. Refiro-me à forma como os bois e vacas eram abatidos no antigo matadouro. Depois de puxados por uma corda até um tronco com cerca de meio metro de altura (para que sua cabeça ficasse abaixada e reclinada) enfiavam-lhe um punhal no "cabelo louro", aquele ponto entre o final o pescoço e a cabeça decretando-lhes seu final que se concretizava com uma outra facada, esta na carótida.

       Este é o retrato do atual alcaide. Agachado, com a cabeça reclinada e ao seu redor dezenas de punhais à espera de uma oportunidade para furá-lo e sangrá-lo. Isso, porquê aquele cavaleiro de mão branca montado num alazão que saiu ungido das eleições há muito perdeu seus arreios - sela, cabeçada, estribos, embocaduras, bridão e, sobretudo, esporas, freios e sela. Sobrou-lhe o chicote empunhado pela "guerreira enlouquecida" a sangrar as costas dos poucos aliados sobreviventes.

       Difícil selecionar, sobretudo valorizar, qual cenário foi mais desastroso. Como vocês devem estar lembrados sua primeira e espetacular derrota deu-se com a eleição do vereador Lázaro José para a presidência da Câmara Municipal e a derrocada do já "eleito", vereador Renato Varjão bem antes de o prefeito eleito assumir o mandato. A partir desse momento dá-se início ao seu calvário político, marcado por derrotas eleitorais e pessoais espetaculares, traições, deserções e mal sucedidas composições, ou arranjos entre seus apoiadores.

       Para não dizerem que sou intransigente o alcaide obteve uma vitória: a permanência no cargo após vencer a batalha pela impugnação na Justiça Eleitoral. Três meses após tomar posse e todos perceberem que o comando político/administrativo do município estava em mãos de "Mainha", a detentora do "chicote", dá-se a primeira derrota: a exoneração, por suspeita de corrupção (nunca comprovada) da titular da secretaria de Ação Social, Advan Sobrinho.

       Nem bem os cortes profundos provocados pelas chicotadas cicatrizaram explode a crise política de maior envergadura. E mais uma vez, ali estava a mão segurando o "chicote". Só que nessa oportunidade "Mainha" não estava só. Outras mãos davam apoio para que o "corte" não apenas sangrasse, mas alijasse do poder o homem forte encastelado na estrutura da prefeitura: o secretário de Finanças, Roberto Salgado.
      
       A saber o Líder do Governo na Câmara, vereador Renato Varjão, o secretário de Educação Leonir Floriani e o  neófito em política André Cayres filho dos ex-prefeitos, Edvaldo e Heyde Cayres. Depois de demitido por meio de recado, foi readmitido após uma conversa "franca" à vista de uns poucos privilegiados. Alguns anéis (de ambos os lados) foram perdidos, mas os dedos mantidos.

       Em seguida, vem a exoneração da nova secretária de Ação Social, Fabiana Ribeiro, mais uma vez por motivos alheios à sua compreensão, mas que provocou alívio em setores reacionários do poder e, sobretudo, em "Mainha" e sua fiel escudeira, a até então toda poderosa, Renata Pedreira, irmã do prefeito, hoje, também defenestrada por este poder oculto que a tudo vê, a tudo escuta e age com uma virulência nunca vista.

       Vamos passar por cima das trapalhadas administrativas do prefeito; do "puxão de orelha" público (em sessão na Câmara de Vereadores) que levou do prefeito de Serrinha, Osny Araújo; da crítica geral pela escolha de um secretariado inepto e pela paralisia total da administração pública, além é claro, do "chororô" e pedidos de clemência, quase diário, nas emissoras de rádio tentando justificar o fracasso de seu governo.

       Pouco adiantou. Ele veio e chegou com um estrondo ensurdecedor: a sua derrota e de todo seu grupo nas eleições de outubro do ano passado. Sua primeira derrocada veio com a traição ao governador Jacques Wagner, quando, de público, deu apoio ao derrotado Paulo Souto. Não satisfeito, "liberou" seu grupo para que apoiasse quem quisesse, exceção para a campanha à Câmara Federal em que todos deveriam apoiar Ronaldo Carleto (o homem do helicóptero).

       Num discurso vazio e dúbio dizia apoiar a reeleição da presidente Dilma, enquanto por "debaixo dos panos" jogava o peso da máquina pública em apoio a Aécio Neves. Os números não mentem. Perdeu a eleição para o Governo da Bahia (Ruy Costa abocanhou 6.465 votos, ou 54,25% dos votos válidos levando a eleição no primeiro turno) e Dilma 9.359 dos 13.822 eleitores que compareceram às urnas, ou 74,40% dos votos válidos.

       Mas a sua derrota mais espetacular ocorreu nas eleições proporcionais. Para a Câmara Federal, o candidato do governo Tarcísio, Ronaldo  Carleto perdeu as eleições para Moema Gramacho a candidata apoiada por Dr. André, Ricardo e Cloudes por uma diferença de 732 votos (2.988 à 2.256). Isso, levando-se em conta apenas esses dois candidatos.

       Se somarmos os votos obtidos por candidatos de oposição como João Gualberto (655 votos); Severiano Alves, (602); Lúcio Vieira Lima (573) e Pellegrino (211 votos), para ficarmos apenas nos mais votados, por exemplo, a surra levada pelo prefeito foi vergonhosa: 2.773 votos de diferença.

            A derrota o acompanhou, também, na eleição para a Assembleia Legislativa. Seu candidato,  o democrata Sandro Régis obteve pouco mais de 1.900 (1.927) votos enquanto sete dos seus adversários diretos mais votados, somados, lograram um total de 6.148. Pela ordem, o candidato do Dr. André, Angelo Almeida com 1.449 votos; o candidato apoiado por Ricardo e Cloudes, Alex Lopes, com 1.250; o candidato de Edvaldo Cayres, Anderson Muniz, com 1.398; o apoiado pelo ex-prefeito, José Mauro, com 749 votos, além de Luciano Simões Filho , hoje inimigo número um de Tarcísio, com 708; Cecília Petrini, com 622 e Joseildo Ramos, com 594.

       Para fechar com chave de ouro as trapalhadas e derrotas do alcaide Tarcísio Pedreira adveio o caso da venda do Mercado Municipal sem que a população fosse convidada a discutir a perda de um dos últimos patrimônios público. E mais grave: o Projeto de Lei (não aprovado devido a reação da comunidade queimadense) não explicitava adequadamente e de forma clara os motivos da venda e em que seriam aplicados os recursos (diz-se R$ 1.2 milhão. Razão para todos desconfiem de que este dinheiro poderia ter outros destinos, menos a reforma da Praça da Feira.

       Desgastado, criticado por todos os setores, inclusive, dentro da própria base aliada, o prefeito envergonhado e vergado pelas forças sociais contrárias à dilapidação do patrimônio público, recuou. Mas que a mobilização da sociedade se mantenha acesa. Ele não desistiu. Muito pelo contrário.

       Agora ele conta com um poderoso aliado: o novo presidente da Casa, Vereador Renato Varjão, ex-Líder do Governo na casa. O momento é  o de cobrar um posicionamento do novo presidente. Se a sociedade recolher-se, vão-se o Mercado Municipal e o crédito de R$ 15 milhões que a prefeitura detém junto ao Governo Federal. Vão desaparecer na poeira que encobre a ação deste governo desastroso.


       Que 2015 ilumine as mentes sãs que com certeza ainda existem em nossa sociedade e, em especial, que o novo ano materialize preceitos como a ética, a transparência e a honestidade no dia a dia dos 11 vereadores que compõem a egrégia Câmara. Porque a aprovação de projetos dessa natureza é o corolário, no caso, a prova de que realmente chegamos ao fim do poço.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Absolvição







        A sindicância aberta contra o subtenente Ivan da Silva Souza por descumprimento de preceitos regulamentares pela Corregedoria da Polícia Militar da Bahia foi arquivada por falta de provas. Acusado (quem terá sido o acusador?) de utilizar a PM para fazer política durante as eleições municipais o subtenente provou que agiu dentro da lei ao atender ao pedido do prefeito do município à época, Paulo Sergio Brandão de que estaria havendo compra de votos no povoado dos Tanques.

         A sindicância foi aberta pela Corregedoria da PM que designou o Capitão PM Natanael Pereira de Souza para apurar as denúncias. Em sua defesa o subtenente Ivan da Silva Souza relatou que após o pedido do prefeito manteve contato com o soldado PM Nilton Marcos da Silva Lima, do 2º Pelotão da 4ª Cia do 6º BPM de Senhor do Bonfim solicitando apoio de uma guarnição para prender dois homens que estariam em um caminhão Ford F4000 comprando votos no povoado dos Tanques.

         Ainda em sua defesa o subtenente Ivan relatou que constatou as denúncias (os envolvidos estavam oferecendo sacos de cimento e bolas de arame farpado em troca de voto) e deu voz de prisão aos cidadãos Silvio dos Reis e Raildo N. Leite e em seguida os apresentou ao Delegado de Polícia, José Luciano Castelo Branco.


Como se sabe esta denúncia ensejou abertura de processo pedindo a cassação do prefeito eleito por compra de votos que não foi aceito pela Justiça Eleitoral (sobre este assunto acesse o post A sentença - I - Os "achismos" e de absurdos, no blog www.queimadasbahia.blogspost.com). Porém o arquivamento da sindicância aberta contra o subtenente Ivan da Silva Souza, além de provar que ele agiu dentro da lei, mostra que havia fortes indícios de que houve, de fato, tentativa de compra de voto.



terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Peões e Reis


 Jogando xadrez vector




         Como no xadrez as peças políticas começam a tomar posições, mesmo antes de o jogo começar para valer. No xadrez, como sabemos (leia o livro L'analyse des échecs de François André Danican Philidor), é importante discutir em detalhes a estratégia como um todo e a importância da estrutura de peões no jogo como fator posicional.

Em Queimadas, a divisão do grupo político do atual alcaide que, como costuma dizer o jornalista Mino Carta já é do conhecimento até do mundo mineral, antecipa a Copa Mundial de Xadrez. Mas, pergunta-se: quem são os primeiros peões a se posicionarem antecipadamente dentro da estratégia do jogo político antes mesmo do final segundo ano da atual administração? Não custa alertar aos neófitos tanto em política quanto em xadrez, como também aos que se julgam preparados e, em especial, aos jogadores afoitos que a previsibilidade é fator essencial para quem almeja a vitória.

No tabuleiro, o jogador tem que prever a jogada de seu oponente e as próprias jogadas com algumas rodadas de antecedência. Na política, a prepotência, a arrogância e a falta de estratégia para o bom jogo faz a diferença entre o bom e o mau político (como nos ensina Sérgio Boechat em artigo (O xadrez da política) publicado no Portal Administradores, em 21 de abril de 2005).

De acordo com Boechat  “o jogo de xadrez exige inteligência e o mesmo ocorre na política, onde os menos inteligentes não se destacam e por isso não passam de meros figurantes”. E alerta para a existência de muitos figurantes no jogo político lembrando que no xadrez as jogadas têm que ser feitas dentro do tempo estabelecido. E sentencia: “Na política, também existe um “timing” e quem não o conhece ou não o respeita, ganha o estigma de perdedor”.

No momento, alguns jogadores queimadense olham o tabuleiro e veem um rei morto. Isso, antes mesmo de avançar as peças ou mesmo conquistar espaço, ou seja, de enfraquecer os adversários. Desconhecem o jogo e não percebem que na política como no xadrez o jogo é de estratégia. Se seguirem as regras estabelecidas, como a de que existe certo número de peças, que cada uma se movimenta de forma diferente e tem seu próprio movimento, os jogadores já em campo poderão obter resultados, ou seja, derrotar o adversário (o “rei”).

O grande problema de alguns dos nossos políticos/jogadores (já movimentando as peças) é a ausência da estratégia (como um todo) e da estrutura de posicionamento dos “peões”. Eles desprezam as regras, colocam peças em excesso e, o pior, elas se movimentam em todas as direções sem estratégia e objetivos.

Se quiserem atingir seu objetivo, no caso de Queimadas enterrarem um rei morto, estes estrategistas devem ler, e com urgência, o artigo de Sergio Boechat. Diz ele: “há peões que querem se movimentar como torre, bispo, cavalo, dama e até fazem pose de “rei”. Ao primeiro movimento, aparentemente bem sucedido, se empolgam e se consideram os “reis” do tabuleiro político.

         Trocando em miúdos, nossos jogadores desconhecem porque lhes falta estratégia, qual o próximo movimento do seu adversário. Que o atual alcaide vive seu pior momento político, ninguém desconhece. Mas acreditar que o “rei” está morto é promover o “peão” antes que ele alcance a última fila do tabuleiro “e assim mesmo respeitando o “rei” ou o líder maior, que ele jamais poderá ser”.

Boechat chama a atenção também sobre o início do jogo. Na política, como no xadrez, as peças brancas sempre iniciam o jogo. “O problema é que as peças “pretas” da política “esquecem” as normas e querem iniciar a partida”.

Para ele, as peças “pretas” são os jogadores despreparados, sem inteligência política, sem capacidade de previsão de jogadas, sem conhecimento das regras do jogo. “Em síntese, são “peões” pretos que arrogantemente se arvoram em líderes políticos e se esquecendo da limitação dos seus movimentos, tentam, sem sucesso, dar um cheque mate no “rei”. Chegaram à última fila do tabuleiro, foram trocados por outra peça mais importante, mas não chegarão a ser “rei”, porque esta é também a lei do xadrez da política”.


As peças estão sendo mexidas em todos os quadrantes da política Queimadense. Há jogadores/políticos competentes que têm objetivos e traçam estratégias (de longo prazo) dentro das normas, ou seja, movimentam as peças já sabendo o movimento do adversário e o seu próximo. Mas há aqueles “peões pretos” que iniciam o jogo sem calcular ou por ignorância, despreparo e incompetência, aonde chegarão. Com certeza não à derrubada do “rei”.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Mercado Municipal







         O “Trombone de vara” soprado de maneira rudimentar e, por vezes, fora do tom pelo ex-prefeito José Mauro Oliveira Filho e o som suave e marcado do “saxofone” extraído por Dr. André, ambos na mídia local (Rádio) contra a venda em leilão público do Mercado Popular, talvez o único espaço público disponível da municipalidade, barraram, preliminarmente, a sanha manipuladora e destruidora do atual alcaide que busca, a qualquer preço meter, literalmente, a mão na “massa”, ou melhor, o possível dinheiro a ser arrecadado com o leilão com objetivos, como denunciou o ex-prefeito, escusos, ou não suficientemente explicados por Tarcísio Pedreira.

            O recuo do prefeito Tarcísio Pedreira é a marca dessa administração desastrosa e mostra o quão é profundo o mau cheiro que exala do fosso político em que ele e sua “trupe” estão mergulhados apenas dois anos após assumir o destino político/financeiro do município de Queimadas. Ainda esta semana o “tampão” colocado por ele e “mainha” no fosso para evitar que a pestilência se espalhe e contamine a todos será aberto e aí a população Queimadense vai tomar conhecimento de sua profundidade, do teor do mau cheiro exalado e quem são os “garis” que ajudam a espalhar o contágio.

            À Sinfônica (orquestra) se agrupam outros instrumentos. Juntam-se aos dois primeiros para o início da reação. E vão tocar o “Bolèro”, de Ravel que, como sabemos é uma obra belíssima, de um único movimento e de um crescendo até o seu final apoteótico. No início, “Bolèro” foi tocada de forma suave, quase silenciosa. Muito mais murmúrios de uma plateia surpreendida, atônita.

A entrada do “Trombone de Vara” seguido do “Saxofone” foi como a senha para o início da grande reação. Acordou a Orquestra (Câmara e sociedade civil organizada). Se “Bolero” dura exatos 14 minutos e dez segundos ainda estamos apreciando o silêncio dos seus primeiros acordes. O importante é esperar pelo grande final porque alguns instrumentos podem vir a desafinar. De ouvidos atentos, portanto, aos movimentos dos onze principais instrumentos da orquestra. Deles dependem a apoteose, ou a vitória da ética contra a imoralidade.


“Roupa suja”

A reunião convocada às pressas por “mainha” (só para os secretários) dará o tom e o tamanho da sujeira. Lá, segundo murmúrios entreouvidos pelo “passarinho do pé de fícus do Bar de Osvaldo” (desperto de um sono longevo, quase eternizado), a “roupa suja” será lavada numa dimensão jamais vista. Muitos duvidam de sua eficácia até por não se saber se haverá detergente suficiente para promover a limpeza de tamanha sujeira e essência de “Patchouli” para aplacar a fedentina a ser exalada.

Três assuntos estarão em pauta, entre vários. O primeiro, a insatisfação pela eleição do vereador Renato Varjão para a presidência da Câmara. Motivos:

1 - O seu alinhamento automático (dele, Renatinho) com o grupo político liderado pelo ex-prefeito Edvaldo Cayres e sua mulher, também ex-prefeita;

2 – A ausência de diálogo e de discussão interna sobre se esse era o melhor candidato (para o grupo puro sangue, como eles se definem). A decisão autoritária vem de cima e a todos cabe apenas, aceita-la;

            O segundo, a forma atabalhoada como o prefeito Tarcísio Pedreira e um pequeno grupo, dentro do grupo, decidiram leiloar o Mercado Municipal. Muitos foram contra a forma como a decisão foi tomada:

1 – Sem discussão aberta com todos os membros do grupo de apoio ao prefeito;

2 – Sem que fosse traçada uma estratégia política aonde consultas deveriam ser feitas junto à sociedade civil organizada; aos vereadores e à população, por meio, por exemplo, de consulta popular.

O terceiro assunto é essencialmente político e comporta duas visões:

1 - A do Chefe do Executivo, secundada pela sua fiel escudeira “mainha” de que a equipe é incompetente, despreparada e é a responsável pelo desastre administrativo em que estão atolados;

2 – A dos secretários, ou parte deles, que responsabilizam o prefeito Tarcísio Pedreira e “Mainha” pela má gestão. As acusações vão de desprestígio administrativo (sem autonomia para gerir suas pastas) passando pela concentração de poderes excessivos em mãos de uns poucos (caso da Secretaria de Educação é exemplar).


O mal estar é generalizado e a reunião pode descambar para generalizações com consequência política e administrativa que poderá agravar ainda mais o caos reinante na administração municipal. Por exemplo, demissões em massa de todos os secretários e diretores (com aquelas exceções de sempre) ou mesmo a saída de alguns de forma intempestiva. Uma coisa é certa: muitos estão preparados, realmente, para “lavar a roupa suja”: doa a quem doer.